sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

 No dia 7 de agosto de 2025, por volta das 06 horas da manhã vi Vênus,  mais ao alto e brilhante e Júpiter, mais ao longe, aparentemente menor e menos brilhante. Fiquei mto tocado pois nunca havia visto esses astros juntos em um momento de completo silêncio e meditação. Foi mágico. Pude sentir um pouco amor de Deus por todos nós, que caprichosamente permitiu que eu testemunhasse essa dança no céu. Só havia lido sobre esses astros visíveis em algumas manhãs,  mas nunca tinha os visto com meus próprio olhos. Sou muito grato e presto testemunho de que os astros não são meros enfeites e suas órbitas foram desenhadas pelo próprio Deus. Digo estas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.






Jardineiro Fiel

 Oh, que belo jardim que meu Senhor nos plantaste.

Tantos aromas e cores que aos sentidos inebria.

Será que sou eu assim tão bela quanto aquele Girassol que vejo lá no alto?

Quisera eu ver as coisas como são, o desenvolver das sementes e o campo ainda selvagem.

Pois assim teria visto aquela bela flor que tardou a abrir, cujo despertar teria inspirado tantas outras anteriormente.

Quantas vezes Ele, o Paisagista, deve ter se sentido frustrado com aquela rosa que teimava em não compartilhar sua beleza?

Quanto amor dedicou a sua obra, podando, nutrindo, fortalecendo e, ainda sim, sem que ela desabrochasse e dividisse com Ele, o Criador, a alegria da sua plena estatura.

Tu, nosso Jardineiro Fiel, sabes que uma flor não se abre por desejo ou exercício da autoridade. 

Nem mesmo por amor dedicado, mas  pela chegada do tempo que não tarda da primavera.

Esse amor, em verdade, não serve para substituir o tempo, mas para tornar a espera agradável. 

A amante que suspira com os cuidados que demanda o casamento, antes mesmo de conhecer o noivo. 

Ao escolher amar a flor ainda fechada e de espinhos a amostra, eu, aquela que fui também plantada, me assemelho ao Jardineiro criador desse campo e com Ele comungo eternamente.

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Minha visão sobre a maternidade e o Reino de Deus

 

Qualquer coisa que a nossa mãe for capaz de fazer contra nós por ignorância e desconhecimento da verdade da vida, não chega nem ao menos próximo daquilo que ela nos deu, que é a vida como a conhecemos. Com toda dificuldade precisamos ter isso em mente e saber que ela colocou seu corpo em risco por nós, que abdicou do seu conforto e deixou de fazer outras coisas que queria e tinha direito de fazer para preparar a nossa gestação e aprendizado. Ela será sempre nossa credora, não importa o que ela tenha feito contra nós sem saber. O perdão é uma das chaves para o Reino de Deus e uma outra, certamente, é a gratidão.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

In serving each other we became free


 A prestação de serviços jurídicos de forma humanista é a paixão da equipe que põe o foco de sua atuação nas pessoas beneficiárias dos trabalhos desenvolvidos. 

Trata-se da marca da equipe que vê o fenômeno jurídico como um bloco que se relaciona com agentes os quais precisam de profissionais altamente capacitados para não só proporem soluções para os problemas que enfrentam, mas agirem na natureza do conflito. 

Com base nessa filosofia prática substitui-se nomenclaturas clássicas que não fazem jus a dinâmica atuação do escritório, como direito penal, direito de família e direito trabalhista, para em seu lugar estabelecer eixos principais de atuação, como, por exemplo a) relações conflituosas com a lei penal, b) relações conflituosas no âmbito doméstico e c) relações conflituosas no sistema produtivo,

Por meio destes três centro dinâmicos o escritório, capitaneado por seu fundador Deivison de Paula, busca atender seus clientes, não como simples consumidores de um serviço advocatício, mas como seres humanos que se encontram face a problemas cuja solução não pode ser limitada ao conhecimento abstrato ministrado por algumas poucas matérias no currículo de uma universidade de direito qualquer, como se não dependessem, em verdade, de toda a experiência e o conhecimento represados durante uma vida dedicada a solução dos conflitos.

Em resumo as soluções que se oferecem não se limitam a expressão jurídica dos problemas manifestados, ao contrário, extrapolam para o esclarecimento a respeito da causa de padrões que se repetem e podem, havendo energia, serem com o tempo superados com paciência, entendimento e compreensão. Por essa razão mesma faz sentido se falar em centro, eixo, vetor ou nó, tomando emprestado estes termos das ciências exatas, uma vez que se trata de um ponto focal onde uma série de conhecimentos são depositados, os quais de maneira alguma podem ser limitados a uma matéria no currículo padrão do bacharel em direito.

Essa visão permite que os profissionais do escritório busquem a partir do conhecimento que possuem entender os clientes e seus interlocutores a fim de agirem na cura das relações conflituosas, extrapolando, portanto, a organização tradicional do direito e avançando para a elucidação dos mistérios das intrincadas relações humanas, já que a dimensão jurídica é, e sempre foi, mero efeito do que se é e se tem, seja nos negócios, na vida doméstica, nas relações sociais.

Para tanto conceitos trabalhados por diversas tradições são utilizados para ajudar os clientes a organizarem suas vidas e se defrontarem com verdades fundamentais as quais quando negligenciadas se expressam, quase invariavelmente, em conflito com a legislação penal, com as pessoas da família e aquelas que estão em seu ambiente profissional. Esses conflitos podem e invariavelmente culminam em disputas judiciais e ainda maiores sofrimentos—o oposto do que se procura com a atuação na cura das relações.

Essa atuação humanista, como não poderia deixar de ser, abarca o saber técnico e a funcionalidade das leis do Estado e dos entes federados e avança para o tratamento do ser transpessoal que, agregado a família, é o foco, a razão de existência das leis da sociedade, onde o profissional pode encontrar sua atuação em favor do serviço ao outro, numa relação que, crê-se, não é regulada por questões outras que não o serviço em favor das corretas relações humanas.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

RigVeda X.71

 "Brhaspati! Quando eles [os poetas-videntes] acionaram os primórdios da linguagem, nomeando [as coisas], o amor revelou seu segredo mais puro e bem guardado. Quando os sábios moldaram a linguagem com suas mentes, peneirando-a como grãos numa peneira, então os iguais perceberam suas semelhanças. Um bom augúrio foi revelado em suas falas. Através do sacrifício eles traçaram o caminho da linguagem e o encontraram nos sábios. Eles o mantiveram e depois o distribuíram a muitos. Juntos os sete cantores o louvaram. Um que olhava não via a linguagem, e outro que escutava não a ouvia, pois ela se revela para alguém como uma amante, adornada, revela seu corpo ao amante. Disseram que alguém se tornou bisonho e embotado em sua amizade. Eles não mais o deixam representá-los nas justas poéticas. Ele vive de engodo, como uma vaca sem leite, pois sua fala não gera nem flor nem fruto. Um homem que abandona um colega de profissão não mais partilha da linguagem. O que ele ouve é em vão, pois ele não mais reconhece a senda justa. Amigos possuem olhos e ouvidos, mas seus entendimentos não são iguais. Alguns são como tanques que só vão até os ombros ou bocas, outros são como tanques em que se pode banhar-se. Quando as intuições da mente são moldadas no coração, quando brâmanes sacrificam juntos como amigos, alguns são deixados de fora por falta de conhecimento, já que outros os superam com o poder de suas louvações. Aqueles que não viajam para perto ou longe, que não são verdadeiros brâmanes nem bebedores de soma, usando mal a linguagem, sem conhecimento, bordam [somente] uma tela de andrajos. Todos os amigos se alegram com o amigo que emerge com fama e vitória do torneio poético. Ele os salva da derrota e os alimenta. Ele é digno de despontar e receber o prêmio. Aquele fica sentado fazendo a flor da poesia florescer. Outro canta uma canção na medida certa. Um, o brâmane, proclama o conhecimento dos sendeiros antigos, [enquanto] outro deita as medidas do sacrifício."  RigVeda X.71 Trad. Clodomir Barros de Andrade.


 Brhaspate prathamam vaco agrah yat prairata namadheyaḥ dadhanah / yadesaM sResthaM yadaripramasitprena tadesaM nihitam guhavith // Saktumiva titauna punanto yatra dhira mansa vacamakrata / atra sakhayani janato badraisaM laksminirhitadhi vaci // Yajnena vacah padaviyamayantamanvavindannRsisu pravistham / tamabhRtya vyadadhuh purutrataM sapta rebha abhi saMnavante // Uta tvah paśayanna dadarśa vacamuta tvah śRnavanna śRnotyenam / uto tvasmai tanvaM vi sasme jayeva patya uśati suvasah // Uta tvaM sakhye sthirapitamahur nainaM hinvantyapi vajinesu / adhenva carati mayayaisa vacam suśruvaM aphalamapuspam // Yastityaja sacividaM sakhrayaM na tasya vacyapi bhago asti / yadiM śRnotyalakaM śRnoti nahi praveda sukRtasya panthM // Aksanvantah karnavantah sakhayo manojavesvasama babhutuh / adaghrasa upakakśasa u tve hRdaiva snatva u tve tadRsre // HRda tastesu manaso javesu yad brahmanah saMyajante sakhayah / atraha tvaM vi jahurvedyabhirohabrahmano i carantyu tve // Ime ye narvadna paraścaranti na na brahmanaso na sutekarasah / ta ete vacamahipadya papaya siristantraM tanvate aprajajñayah // Sarve nandanti yaśasagatena sabhasahena sakhya sakhayah / kilvisaspRtpitusanirhyesamaraM hito bhavati vajinaya // RcaM tvah posamaste pupusvangayatrain tvo gayatiśakvarisu / brahma tvo vadati jatavidyaM yajnasya matraM vi mimita u tvaM //. RigVeda X. 71

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

O homem que falava politiquês

 

O homem que falava politiquês


Saibam vocês que o Brasil não é para amadores, nem a vida. Vejam só, um dia desses estava passeando num parque com meu filhinho, quando a esmo, deleitando-nos com o tempo, nos vimos abrigados a sombra de algumas árvores, paramos. Passei a vê-lo brincar com algumas mesas dessas pequenas feitas para crianças e deparei-me com uma série de livros a disposição, a la carte. Era uma biblioteca a céu aberto no parque. Escolhi para ler para ele uma adaptação com ilustrações do conto escrito por Lima Barreto, chamado o “homem que sabia javanês”. A despeito de meus esforços, rapidamente o piá inquietou-se, afinal esse tipo de leitura não é propriamente para sua idade. Sua atenção se perdeu, como de se esperar, por entre as diversas atrações do parque: a terra, a luz, o sol, etc. Preferiu brincar com a natureza nos bancos e jogar pedras ao invés de ouvir a minha interpretação daquela estória maravilhosa.


Já eu fiquei fascinado pela lembrança daquele livro lido na minha juventude já distante. Um trabalho lindo de ilustração e adaptação. Parei de ler exclusivamente por causa dos puxões e ameaças de choro, que estavam prestes a se concretizar, caso não fossemos imediatamente para outro lugar no parque. Por mim mesmo estaria até agora dentro daquele livro. Negociei com o Gael o máximo que pude, retardei para que continuasse em meu interesse saboreando aquela estória, mas não deu certo por muito tempo, fui lendo o mais rápido que pude, enquanto entre um pulo e outro ele redobrava suas ameaças de cair no choro. Não aguentei e cedi, como quase sempre.


O mais intrigante da estória relatada no livro(que só pude terminar mais tarde sozinho em casa) é a semelhança com o Brasil e sua miséria atual. Alias nada mais atual por aqui do que o tal homem que falava javanês, um bacharel em direito, como eu e muitos dos coachs por aí. Era, na estória, um malandro que precisava sobreviver e decidiu para tal se candidatar para uma vaga de professor de javanês, sem que soubesse coisa alguma da língua. Ou melhor sem que soubesse nada substancial da língua. Conseguiu o cargo de professor de um homem muito nobre e bondoso, simplesmente por saber mais do que os outros. Fácil né. Decorou meia dúzia de palavras que encontrou em um dicionário, contou uma mentira sobre como tinha aprendido a falar a língua e isso foi o suficiente para ludibriar o crédulo e ignorante homem e ganhar o cargo de seu amado professor.


Essa esperteza lhe garantiu a fama de falante de uma língua exótica e a possibilidade de galgar cargos na administração pública. Vejam só, na estória, aquela do Lima Barreto, no tempo inicial da República saudosa do Império, ele chegou a ser diplomata do Brasil em África. Em São Paulo, por outro lado, um desses que se metem a saber de tudo está prestes a ganhar a Prefeitura de São Paulo. Muito fácil e simples, né.


Nenhuma antipatia pelo moço, esse candidato real de São Paulo, ao contrário. Ele é fruto de nossa sociabilidade, tem sua graça e necessidade. Conheço alguns do tipo que andam por aqui e ali e vejo nele os mesmíssimos vícios tão ordinários que espuma as bocas da humanidade atual. Afinal, quem de nós pode se dizer livre desses problemas tão comezinhos do espírito. Fácil vê-los nele não em nós. Atirem a primeira pedra quem não saboreia pelo menos um pouco essas nossas vilanias. Ninguém, né. Se a admoestação fosse alterada para vote em fulano quem nunca desejou ficar rico sem trabalho sério, da noite para o dia. A eleição estaria nesse caso garantida em seu favor, teríamos assim um vencedor já no primeiro turno. Duvidam? A multidão procura um mais alto cuja voz a guie. Pronto. Eis aí o profeta que o povo construiu a sua imagem.


Por falar em profeta este até abençoa pessoas paralíticas, porém a despeito de suas vontades, do paralítico e do pretenso curador, elas não andam. Talvez tenha faltado inspiração para o profeta ou humildade. Seu canto sedutor perfumado por uma retórica de prosperidade aponta para a superação das carências materiais tão comuns em nosso povo. Se ele ajuda nisso só pode ser um enviado de Deus e, por isso, nele vou votar para a solução do problema político. Será?


Será que o problema da carência de recursos é o problema em si e não o pecado que corroê as bases de nossa humanidade, que nos faz esquecer a função do dinheiro em nossa vida e a própria razão de se viver. A tentação que o Diabo fez ao nosso Salvador no deserto, pelo que me parece, anda nessa linha. Darei-lhe toda glória e riqueza do mundo. Sabemos que o Mestre negou, pois sabia com quem seu amor e fidelidade estava, já o candidato é de se verificar. Demos tempo ao tempo, a eternidade garante aprendizado infinito. Vi de sua boca em um podcast em que ele afirma ter aviões e helicópteros e de certo concluo que esses veículos não são sinal de uma vida abnegada. Ele quer curar como Cristo, sua glória, mas não sua renúncia. Nesse mesmo programa citou como ora faço parte das escrituras sagradas, se palavras túmulo do espírito ou vivas, não posso dizer. O que sei é da contradição e a possível disrruptura que alguém que estressa os limites do mundo político, econômico e religioso pode representar. Torcesse eu para o circo pegar fogo queria vê-lo eleito, porém o nível de confusão que uma pessoa cujo patrimônio parece ter se materializado por efeito de uma obra alquímica dentro do cenário degenerado da política faz-me desconfiar de suas associações e simplificações. 


Acompanhemos o resultado das eleições paulistana e oremos para que os aprendizados sejam feitos a contendo. Os do povo, os do candidato e os desse escrevinhador que pasta para entender o óbvio e para não julgar como deve.








quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Jesus em uma macieira

 

O mar revolto por causa da tempestade é o mundo astral em que o discípulo busca superar em si. O mundo astral é o quadro em que os materialistas se encerram deliberadamente, embora a ele não pertençam, vivem reclusos nele por medo de se assumirem parte de um mundo maior e mais belo, com mais sutilezas e digno do que chamamos vida. A aparição do Mestre no mundo físico, efeito dos fatos espirituais e das causas, age sob ele e é uma Força irresistível que sempre o vence. A Luz de Deus que sempre vence e que vem quando feitas pelos homens todas as tentativas separatistas de vitória, quando caem em todas as ilusões e chafurdam nos becos sem saída da transitoriedade da matéria e da personalidade que construíram para si. O dialogo entre Simão e Jesus é o elo eterno existente entre o Mestre e o discípulo que funciona como princípio sustentador. O discípulo sincero que ama o Mestre mais do que a si próprio, mais do que ao seu povo, sua esposa, mais do que a seu filho ou qualquer outra coisa ou pessoa que se relacione. A visão que permite o buscador procurá-la. O Mestre afia a arma para vencer o dragão, constrói-lhe a postura mental a qual permitirá caminhar sobre o mar revolto do plano astral, cujo reflexo se espraia para o mundo físico. Jesus é o exemplo de Mestre e Simão, que mais tarde ganhou o nome de Pedro, é o exemplo de discípulo. Utilizado como paradigma o qual os homens devem procurar em si, tanto a figura do Mestre quanto a figura do discípulo. O primeiro para seguir, o segundo para se identificar consigo próprio e, portanto, ser. O discípulo é um homem prático, age no mundo, possui mãos hábeis para o serviço, coloca-se como aprendiz e eventualmente deixa de ser em determinadas questões; ganha confiança e uma habilidade que não sabia possuir. O Mestre é, inspira amor e desafia. Permite que o discípulo creia ser possível aproximar-se dele, fazendo o que ele faz, somente para reaparecer num novo patamar da espiral onde o discípulo se verá novamente incapaz, aprendendo dessa vez a caminhar por águas ainda mais revoltas e profundas, além das que já foi capaz de imaginar; novamente, refazendo tudo num grau de maior profundidade. O impossível mais possível. O perfeito mais perfeito. A paz ainda mais Paz. Shalom, Shalom. Naturalmente há uma contradição em termos que aumenta gradualmente a tensão. O discípulo, prático, se confronta com o Mestre, na sua perspectiva, abstrato, vago, fugidio. O discípulo quer o poder para empregar naquilo que se dedica, para construir uma ordem social mais adequada, restaurar. O Mestre sabe, o discípulo quer saber. O discípulo cairá até aprender o mecanismo e suportar a tensão em equilíbrio, mantendo os olhos fixos nos olhos do Mestre e perceber que o resto é fruto da ilusão e que precisa ser vencido. Um equilíbrio dinâmico que uma vez conquistado e mantido dará inicio ao trabalho.