"Brhaspati! Quando eles [os poetas-videntes] acionaram os primórdios da linguagem, nomeando [as coisas], o amor revelou seu segredo mais puro e bem guardado. Quando os sábios moldaram a linguagem com suas mentes, peneirando-a como grãos numa peneira, então os iguais perceberam suas semelhanças. Um bom augúrio foi revelado em suas falas. Através do sacrifício eles traçaram o caminho da linguagem e o encontraram nos sábios. Eles o mantiveram e depois o distribuíram a muitos. Juntos os sete cantores o louvaram. Um que olhava não via a linguagem, e outro que escutava não a ouvia, pois ela se revela para alguém como uma amante, adornada, revela seu corpo ao amante. Disseram que alguém se tornou bisonho e embotado em sua amizade. Eles não mais o deixam representá-los nas justas poéticas. Ele vive de engodo, como uma vaca sem leite, pois sua fala não gera nem flor nem fruto. Um homem que abandona um colega de profissão não mais partilha da linguagem. O que ele ouve é em vão, pois ele não mais reconhece a senda justa. Amigos possuem olhos e ouvidos, mas seus entendimentos não são iguais. Alguns são como tanques que só vão até os ombros ou bocas, outros são como tanques em que se pode banhar-se. Quando as intuições da mente são moldadas no coração, quando brâmanes sacrificam juntos como amigos, alguns são deixados de fora por falta de conhecimento, já que outros os superam com o poder de suas louvações. Aqueles que não viajam para perto ou longe, que não são verdadeiros brâmanes nem bebedores de soma, usando mal a linguagem, sem conhecimento, bordam [somente] uma tela de andrajos. Todos os amigos se alegram com o amigo que emerge com fama e vitória do torneio poético. Ele os salva da derrota e os alimenta. Ele é digno de despontar e receber o prêmio. Aquele fica sentado fazendo a flor da poesia florescer. Outro canta uma canção na medida certa. Um, o brâmane, proclama o conhecimento dos sendeiros antigos, [enquanto] outro deita as medidas do sacrifício." RigVeda X.71 Trad. Clodomir Barros de Andrade.
Brhaspate prathamam vaco agrah yat prairata namadheyaḥ dadhanah / yadesaM sResthaM yadaripramasitprena tadesaM nihitam guhavith // Saktumiva titauna punanto yatra dhira mansa vacamakrata / atra sakhayani janato badraisaM laksminirhitadhi vaci // Yajnena vacah padaviyamayantamanvavindannRsisu pravistham / tamabhRtya vyadadhuh purutrataM sapta rebha abhi saMnavante // Uta tvah paśayanna dadarśa vacamuta tvah śRnavanna śRnotyenam / uto tvasmai tanvaM vi sasme jayeva patya uśati suvasah // Uta tvaM sakhye sthirapitamahur nainaM hinvantyapi vajinesu / adhenva carati mayayaisa vacam suśruvaM aphalamapuspam // Yastityaja sacividaM sakhrayaM na tasya vacyapi bhago asti / yadiM śRnotyalakaM śRnoti nahi praveda sukRtasya panthM // Aksanvantah karnavantah sakhayo manojavesvasama babhutuh / adaghrasa upakakśasa u tve hRdaiva snatva u tve tadRsre // HRda tastesu manaso javesu yad brahmanah saMyajante sakhayah / atraha tvaM vi jahurvedyabhirohabrahmano i carantyu tve // Ime ye narvadna paraścaranti na na brahmanaso na sutekarasah / ta ete vacamahipadya papaya siristantraM tanvate aprajajñayah // Sarve nandanti yaśasagatena sabhasahena sakhya sakhayah / kilvisaspRtpitusanirhyesamaraM hito bhavati vajinaya // RcaM tvah posamaste pupusvangayatrain tvo gayatiśakvarisu / brahma tvo vadati jatavidyaM yajnasya matraM vi mimita u tvaM //. RigVeda X. 71
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