quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Jesus em uma macieira

 

O mar revolto por causa da tempestade é o mundo astral em que o discípulo busca superar em si. O mundo astral é o quadro em que os materialistas se encerram deliberadamente, embora a ele não pertençam, vivem reclusos nele por medo de se assumirem parte de um mundo maior e mais belo, com mais sutilezas e digno do que chamamos vida. A aparição do Mestre no mundo físico, efeito dos fatos espirituais e das causas, age sob ele e é uma Força irresistível que sempre o vence. A Luz de Deus que sempre vence e que vem quando feitas pelos homens todas as tentativas separatistas de vitória, quando caem em todas as ilusões e chafurdam nos becos sem saída da transitoriedade da matéria e da personalidade que construíram para si. O dialogo entre Simão e Jesus é o elo eterno existente entre o Mestre e o discípulo que funciona como princípio sustentador. O discípulo sincero que ama o Mestre mais do que a si próprio, mais do que ao seu povo, sua esposa, mais do que a seu filho ou qualquer outra coisa ou pessoa que se relacione. A visão que permite o buscador procurá-la. O Mestre afia a arma para vencer o dragão, constrói-lhe a postura mental a qual permitirá caminhar sobre o mar revolto do plano astral, cujo reflexo se espraia para o mundo físico. Jesus é o exemplo de Mestre e Simão, que mais tarde ganhou o nome de Pedro, é o exemplo de discípulo. Utilizado como paradigma o qual os homens devem procurar em si, tanto a figura do Mestre quanto a figura do discípulo. O primeiro para seguir, o segundo para se identificar consigo próprio e, portanto, ser. O discípulo é um homem prático, age no mundo, possui mãos hábeis para o serviço, coloca-se como aprendiz e eventualmente deixa de ser em determinadas questões; ganha confiança e uma habilidade que não sabia possuir. O Mestre é, inspira amor e desafia. Permite que o discípulo creia ser possível aproximar-se dele, fazendo o que ele faz, somente para reaparecer num novo patamar da espiral onde o discípulo se verá novamente incapaz, aprendendo dessa vez a caminhar por águas ainda mais revoltas e profundas, além das que já foi capaz de imaginar; novamente, refazendo tudo num grau de maior profundidade. O impossível mais possível. O perfeito mais perfeito. A paz ainda mais Paz. Shalom, Shalom. Naturalmente há uma contradição em termos que aumenta gradualmente a tensão. O discípulo, prático, se confronta com o Mestre, na sua perspectiva, abstrato, vago, fugidio. O discípulo quer o poder para empregar naquilo que se dedica, para construir uma ordem social mais adequada, restaurar. O Mestre sabe, o discípulo quer saber. O discípulo cairá até aprender o mecanismo e suportar a tensão em equilíbrio, mantendo os olhos fixos nos olhos do Mestre e perceber que o resto é fruto da ilusão e que precisa ser vencido. Um equilíbrio dinâmico que uma vez conquistado e mantido dará inicio ao trabalho.



Nenhum comentário:

Postar um comentário