Que soem altos os clarins.
Que organizemos a luta e as resistências caiam diante do irresistível.
De par em par, derrubemos as portas ainda fechadas ao nosso clamor.
O amor venceu.
Poetas do mundo: unam-se!
Ouçam o meu canto e percebam que suas liras nunca foram tão urgentemente requisitadas.
Vocês que estão confusos, alimentando suas carnes gordas: tomem tino!
Nada disso importa só o seu ofício.
Não o de médico, advogado, choffer ou qualquer outra coisa que o valha.
A máquina do mundo está quebrada e cabe a vocês alimentarem o novo com seu amor; não percam mais tempo.
Deixem de velar os mortos! Estes já foram, tomaram suas decisões, cabe a vocês gritarem a plenos pulmões. Estou aqui. O amor venceu.
Que não hajam telhados suficientes para seus pulos de alegria.
Que todos as varandas ouçam suas poesias,
Que todas as ruas escutem a sua música,
E todas os engarrafamentos sintam a sua paciência.
Deixem que os mortos carreguem suas podridões e vocês tratem de levantar a bandeira da dignidade humana.
Cantem para as pedras, matas, rios e afins, para que dali nasçam homens novos.
Uns que não troquem o ouro do tempo pelo entretenimento, pela ilusão de não-ser.
Todas as máscaras cairão por seus esforços de fazerem descer os céus e subir as terras.
Não desanimais, é alta noite, faltam poucas horas para a manhã.
Vocês são como os galos que cantam anunciando o novo dia.
Que os que dormem praguejem, pois o nosso canto levanta pedras e estas, uma vez despertas, jamais renunciarão o amor em nome de qualquer condição que não o próprio amor.
Eia homens livres, cantem para que seus cantos despertem a todos.
Vamos, não sejam tímidos, o tempo urge!
A aurora do princípio humano é chegada.
Avancem filhos do Absoluto.

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