quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Poetas do mundo: unam-se!



Que soem altos os clarins.

Que organizemos a luta e as resistências caiam diante do irresistível.

De par em par, derrubemos as portas ainda fechadas ao nosso clamor.

O amor venceu.


Poetas do mundo: unam-se!


Ouçam o meu canto e percebam que suas liras nunca foram tão urgentemente requisitadas.

Vocês que estão confusos, alimentando suas carnes gordas: tomem tino!

Nada disso importa só o seu ofício.


Não o de médico, advogado, choffer ou qualquer outra coisa que o valha.

A máquina do mundo está quebrada e cabe a vocês alimentarem o novo com seu amor; não percam mais tempo.

Deixem de velar os mortos! Estes já foram, tomaram suas decisões, cabe a vocês gritarem a plenos pulmões. Estou aqui. O amor venceu.


Que não hajam telhados suficientes para seus pulos de alegria.

Que todos as varandas ouçam suas poesias,

Que todas as ruas escutem a sua música,

E todas os engarrafamentos sintam a sua paciência.


Deixem que os mortos carreguem suas podridões e vocês tratem de levantar a bandeira da dignidade humana.

Cantem para as pedras, matas, rios e afins, para que dali nasçam homens novos.

Uns que não troquem o ouro do tempo pelo entretenimento, pela ilusão de não-ser.


Todas as máscaras cairão por seus esforços de fazerem descer os céus e subir as terras.

Não desanimais, é alta noite, faltam poucas horas para a manhã.

Vocês são como os galos que cantam anunciando o novo dia.

Que os que dormem praguejem, pois o nosso canto levanta pedras e estas, uma vez despertas, jamais renunciarão o amor em nome de qualquer condição que não o próprio amor.


Eia homens livres, cantem para que seus cantos despertem a todos.

Vamos, não sejam tímidos, o tempo urge!

A aurora do princípio humano é chegada.

Avancem filhos do Absoluto.


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