Todo dia é o mesmo parque,
Todo dia são as mesmas árvores, as mesmas flores, os mesmos pássaros.
As mesmas pessoas se exercitando.
Todo dia é o mesmo parque,
Todo dia é o mesmo sol, as mesmas nuvens passando e encobrindo pontos específicos.
Todo dia as mesmas formigas, os mesmos grãos de areia.
Mas todo dia é um parque diferente.
Quando cheguei desatento, sendo cego olhando tudo, vi tudo igual, tudo do mesmo.
Fui chegando de mansinho, vivendo pouco a pouco o parque, sinto-o hoje de outro modo.
Vejo que o sol de hoje não é o mesmo sol que ontem,
que a formiga não é a mesma que ontem
que as pessoas não são as mesmas que eram.
Aquilo que parecia estático é metamorfoseado pouco a pouco a cada fração de tempo.
Um olhar atento, cuidadoso, gentil, faz perceber a diferença, sabe fazer notar que o bom dia não é o mesmo do dia anterior.
Sua carga de bondade ou maldade pode ser maior ou menor, nunca a mesma.
O canto do pássaro não é o mesmo, mas parece.
O fio invisível que liga toda as vidas e as torna una. A ficção jurídica chamada parque é diferente. Não ele em si, mas o que há dentro dele.
É tudo graciosamente posto de um jeito novo todo dia.
São Paulo, 22 de agosto de 2023
Deivison de Paula


