sexta-feira, 21 de julho de 2023
O pequeno sol
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Cristo, o cristianismo e os girassóis
Cristo não é refém do cristianismo. O cristianismo é uma construção humana inspirada por Ele, e que jamais pode ser confundida com a Obra do Cristo, ainda por se revelar. A Obra do Cristo é a vencedora trajetória do Homem rumo ao seu criador, por meio de experiências graduais e reais com Ele. O cristianismo é um feixe de religiões formadas pelos devotos de Jesus que buscaram registrar e interpretar suas palavras e ações, não é a Sua Obra, portanto, mas a de homens; alguns naturalmente amorosos e sábios outros perversos e estúpidos.
O primeiro trabalho de quem se pretende discípulo do Cristo me parece ser o de esforçar-se para se fazer também expressão do Cristo e esclarecer os maus entendimentos cristalizados na história aparente do mundo com o melhor de sua capacidade.
A entrada da caverna sagrada
da noite e os raios do sol nos tocam, podemos, no cume da franqueza e da dedicação, contemplar o ser eterno que em nós se expressa.
Devemos questioná-lo. Ainda que sob o risco de cairmos das alturas que sofregadamente atingimos. O mestre nos despertou do sono profundo a que estávamos entregues. Tirou-nos há alguns dias da planície, encantou-nos com o amor que expressava pela Verdade e pela Fraternidade. Disse-nos maravilhas a respeito da possibilidade de sabermos quem somos. Falou por mensagens, algumas cifradas e outras diretas: nos guiou através de sinais até a montanha que desconhecíamos, cujo o sonho de sua existência havíamos deixado há muito tempo para trás.
Já não nos lembramos que um dia havíamos sonhado com ela e sua majestosidade. Aos pés dela choramos como um filho que não reconheceu a voz da mãe e foi brincar nos braços de estranhos, perdendo-se. Amaldiçoamos nossa fraqueza e falta de perseverança. Se tivéssemos perseguido seu cume antes... se estivéssemos mais dispostos quando fomos originalmente despertos pelo mestre, tudo teria sido diferente. Quanto sofrimento nos teria sido poupado, caso não tivéssemos sucumbido às delicias da falta de propósito e do imediatismo dos afetos mais pueris.
Tudo passou e agora reivindicamos o nosso lugar, que teria sido nosso se tivéssemos ouvido a voz do mestre e ignorado as demais. Não cabem remorsos. Somente o desejo ardente e a convicção de não se deixar falhar e que quando balançarmos na jornada rumo ao topo, situação que inevitavelmente encararemos no desafiante caminho. Não duvidarmos quando ouvirmos uma suave voz em nossos ouvidos: segura firme, agora falta pouco.
O que nós queremos? Está é a pergunta que devemos fazer quando encontrarmos a entrada da sagrada caverna que se encontra escondida no alto da montanha. No caminho até esse ponto teremos gradualmente deixado para trás traços desviantes que adquirimos enquanto brincávamos longe da mãe e os outros traços, os que suportarão o fogo da Vontade, serão, de certo, sublimados e incorporados ao ser que nascerá quando finalmente superada a montanha e conquistado o direito de adentrar na sagrada caverna.
São Paulo, 20 de julho de 2023 às 10:50 de uma manhã silenciosa.
Deivison de Paula


